Literacia sobre enfarte e AVC ainda revela lacunas em Portugal

Literacia sobre enfarte e AVC ainda revela lacunas em Portugal

Fundação Portuguesa de Cardiologia divulga resultados do estudo O Enfarte Agudo do Miocárdio e o AVC que aponta para lacunas relevantes na literacia da população portuguesa sobre sintomas e fatores de risco destas patologias.

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6 de Maio, 2026

O estudo, realizado pela GfK Metris em abril, inquiriu 600 pessoas entre os 40 e os 54 anos, residentes em Portugal Continental, com o objetivo de avaliar o conhecimento sobre o enfarte agudo do miocárdio (EAM) e o acidente vascular cerebral (AVC).

No caso do enfarte, a dor no peito com irradiação é o sintoma mais reconhecido, identificado por 76% dos inquiridos, enquanto o desconforto súbito e persistente no peito é referido por 47%. No entanto, sinais menos específicos, como suores, falta de ar ou mal-estar geral mais frequentes nas mulheres são reconhecidos por apenas 21% da amostra.

Perante um possível enfarte, 96% dos participantes indicam corretamente a necessidade de ligar para o 112, mas medidas imediatas como interromper a atividade e reduzir o esforço cardíaco continuam pouco conhecidas, sendo referidas por menos de 20%.

Relativamente aos fatores de risco, a maioria dos inquiridos identifica a hipertensão arterial e o colesterol elevado (91%), seguidos do tabagismo (78%) e da história familiar (76%). Ainda assim, apenas 45% reconhece a diabetes como fator de risco. Entre pessoas que já sofreram um evento cardiovascular, apenas 14% sabe que o colesterol LDL deve ser mantido abaixo dos 55 mg/dL para prevenir novos episódios.

No que diz respeito ao AVC, os sinais mais evidentes, como perda de força, alterações da fala ou desvio da face, são amplamente reconhecidos, bem como a necessidade de contactar o 112 de imediato. No entanto, fatores de risco como fibrilação auricular ou apneia do sono continuam subvalorizados.

A Fundação Portuguesa de Cardiologia sublinha a importância destes dados, destacando que 19% dos óbitos em homens entre os 40 e os 55 anos em Portugal têm origem cérebro-cardiovascular. A instituição alerta ainda que cerca de 80% da mortalidade precoce por estas doenças pode ser evitada através do controlo de fatores de risco modificáveis, como hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso.

A apresentação oficial dos resultados está marcada para amanhã, no Centro de Informação Urbana de Lisboa, assinalando o arranque do Mês do Coração, iniciativa que inclui também o lançamento de uma nova campanha e um conjunto de ações de sensibilização para a promoção da saúde cardiovascular.