Um terço dos portugueses nunca ouviu falar de microbiota

Um terço dos portugueses nunca ouviu falar de microbiota

Esta é uma das conclusões do inquérito Observatório Internacional de Microbiotas 2026, promovido pelo Biocodex Microbiota Institute. Estudo refere ainda que, apesar, disso 50% dos inquiridos alteraram hábitos para cuidar da saúde.

Esta imagem não tem texto alternativo. O nome do ficheiro é: microbiota


Apesar dos avanços da investigação científica e da crescente atenção dedicada ao microbioma humano, o conhecimento dos portugueses sobre a microbiota continua aquém da média internacional. De acordo com os resultados do Observatório Internacional de Microbiotas 2026, promovido pelo Biocodex Microbiota Institute, 34% dos portugueses nunca ouviram falar de microbiota e apenas 21% afirmam saber exatamente o que o conceito significa.

Os dados, divulgados a propósito do Dia Mundial do Microbioma, que hoje se assinala, revelam que Portugal continua entre os países com menor literacia nesta área, embora se observe uma crescente consciencialização sobre a importância da microbiota para a saúde.

“Nos últimos anos, o estudo na área do microbioma e da microbiota tem vindo a revelar associações entre a microbiota intestinal e várias dimensões da saúde, nomeadamente o sistema imunitário, o metabolismo e o eixo intestino-cérebro”, explica Joana Ferreira Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Segundo a especialista, uma das descobertas mais relevantes tem sido a compreensão da comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, ajudando a esclarecer potenciais relações entre a microbiota, o humor, o comportamento e algumas condições neurológicas e psiquiátricas.

Apesar do conhecimento ainda limitado, o estudo mostra que os portugueses começam a traduzir esta crescente atenção em comportamentos concretos. Metade dos inquiridos (50%) refere ter alterado hábitos para preservar o equilíbrio da microbiota, enquanto 68% praticam atividade física regularmente, 57% consomem fruta e vegetais diariamente e 36% procuram limitar o consumo de alimentos ultraprocessados.

“Neste momento não existe uma única intervenção específica para cuidar da microbiota, mas sim um conjunto de hábitos de vida que, em simultâneo, promovem a saúde intestinal e a saúde global (…) Aquilo que faz bem à microbiota é, em grande medida, aquilo que faz bem ao organismo como um todo.”
Joana Ferreira Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

O estudo destaca ainda o papel central dos profissionais de saúde na educação da população. Nove em cada dez portugueses (90%) consideram-nos a fonte mais credível de informação sobre microbiota, mas apenas cerca de um terço afirma ter recebido explicações completas sobre o tema.

“Os profissionais de saúde têm um papel essencial na tradução da informação. Numa área que gera muito interesse, mas também alguma desinformação, é importante ajudar a população a distinguir o que é sustentado pela evidência científica daquilo que são promessas ou modas”, sublinha a investigadora.

Outro dos aspetos destacados pelo observatório diz respeito aos chamados primeiros mil dias de vida, período considerado fundamental para o desenvolvimento da microbiota intestinal. No entanto, apenas 32% dos pais e grávidas dizem conhecer este conceito.

“Os primeiros anos de vida são particularmente importantes para o desenvolvimento da microbiota intestinal”, explica Joana Ferreira Gomes. Ainda assim, a especialista alerta para a necessidade de informar sem alarmar. “É importante que os pais compreendam que algumas escolhas e hábitos de vida saudáveis podem ter impacto no desenvolvimento da criança, sem que isso se transforme numa fonte de preocupação desnecessária.”

O Observatório Internacional de Microbiotas 2026 envolveu 7 500 participantes de 11 países, incluindo Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia, Finlândia, Estados Unidos, Brasil, México, China e Vietname, avaliando o conhecimento, as perceções e os comportamentos da população relativamente ao microbioma e à microbiota.

Saiba mais sobre o inquérito aqui.