Nova tecnologia do i3S reduz falhas em próteses vasculares
Ana Mendes, Andreia Pereira e Sofia Rocha, investigadoras do i3S, vencem prémio de inovação por próteses vasculares inteligentes que usam o fluxo sanguíneo para gerar energia e detetar falhas precoces.

Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) foram distinguidas com o prémio 3D Strategic Innovation of Biomaterials Applied to Health and the Medical Device Industry, atribuído pela empresa de engenharia biomédica i+Med Cooperative of Scientists, no âmbito do XLVII Congresso Internacional da Sociedade Ibérica de Biomecânica e Biomateriais.
Ana Mendes, Andreia Pereira e Sofia Rocha receberam o galardão, no valor de 300 euros, pelas apresentações orais centradas no desenvolvimento de próteses vasculares inteligentes capazes de utilizar o fluxo sanguíneo como fonte de energia elétrica. A tecnologia em investigação poderá, no futuro, alimentar dispositivos cardíacos eletrónicos, como pacemakers, abrindo novas perspetivas na área dos biomateriais aplicados à saúde.

Os trabalhos exploram estratégias inovadoras para converter o fluxo sanguíneo em energia elétrica e integrar sistemas de monitorização capazes de emitir alertas precoces perante sinais de disfunção, como alterações do fluxo ou risco de bloqueio. O objetivo é permitir intervenções atempadas e reduzir a probabilidade de complicações graves.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares provocaram 19,8 milhões de mortes só em 2022, reforçando a necessidade de soluções inovadoras e preventivas. No caso das próteses vasculares, a taxa de falha no primeiro ano pode atingir cerca de 40%, sublinhando a importância de sistemas inteligentes de deteção precoce.
As investigadoras integram o grupo Advanced Graphene Biomaterials do i3S, liderado por Inês Gonçalves. Os resultados apresentados decorrem de três anos de investigação desenvolvida no âmbito dos projetos Blood2Power, financiado pelo European Innovation Council, e Blood4Energy, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Para a equipa, o prémio representa uma validação externa por parte da indústria e destaca o potencial de translação destas soluções para a prática clínica e para o setor dos dispositivos médicos. Os trabalhos contaram ainda com a colaboração de investigadores do IFIMUP, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e da Medical University of Vienna.




