Novo surto do vírus Ébola na República Democrática do Congo

Novo surto do vírus Ébola na República Democrática do Congo

Apesar de o risco deste surto afetar a Europa ser muito baixo, é importante estar alerta e tomar medidas no caso de viajar para as áreas afetadas pelo vírus de modo a diminuir a sua propagação. 

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O Ébola é uma doença viral grave, muitas vezes fatal, se não for detetado e tratado atempadamente, caracterizada por febre alta e hemorragias. 

A infeção é transmitida através do contacto direto com sangue, vómitos, fezes, saliva, suor, urina, lágrimas, sémen, leite (amamentação) ou líquido amniótico e outros fluidos do parto, e também através de órgãos de pessoas ou animais (principalmente morcegos, antílopes e chimpanzés) infetados (vivos ou não), sendo que também pode ser transmitido por contacto com carne que não foi devidamente cozinhada. 

Os sintomas surgem de dois a 21 dias após a infeção e caracterizam-se por febre alta repentina, mal-estar intenso, fraqueza extrema, dores musculares, dores de cabeça e garganta, dores abdominais, dores no peito, alterações cutâneas (como o aparecimento de manchas na pele), náuseas, vómitos, diarreia e, em casos graves, hemorragias. O contágio pode ocorrer desde que se sentem os primeiros sintomas até algum tempo após a recuperação clínica. 

Numa fase inicial, os sintomas podem ser confundidos com outras infeções, como a gripe ou outras viroses, sendo recomendado contactar o SNS 24 ou o 112 em caso de aparecimento de sintomas após viagem recente a regiões onde exista circulação do vírus Ébola.

O diagnóstico de infeção por Ébola é confirmado através de testes PCR ao sangue. Esta doença que não tem cura, exige um tratamento intensivo de suporte (como reidratação) de modo a aumentar a probabilidade de sobrevivência. A prevenção requer o isolamento de doentes e o uso rigoroso de equipamentos de proteção.

A República Democrática do Congo enfrenta um surto de Ébola, contando já com um número elevado de casos e mortes devido a esta grave doença. A epidemia está a espalhar-se rapidamente em África. 

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde OMS, afirmou que a situação é “profundamente preocupante” e está a avaliar opções de testes, vacinas e tratamentos com parceiros da Rede de Contramedidas Médicas.

Há vários vírus responsáveis pela Ébola. Este surto é causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual ainda não existem vacinas ou terapias aprovadas.

Quanto às opções terapêuticas, são recomendados dois anticorpos monoclonais, uma classe de medicamentos que são sintetizados a partir de organismos vivos e servem para reforçar o sistema imunitário, além de serem fundamentais também cuidados de suporte intensivos. A reposição de fluidos e vigilância de funções vitais a nível hospitalar estão associadas à melhoria de resultados clínicos nestes pacientes.

Adicionalmente, o antiviral obeldesivir está a ser sujeito a avaliação num ensaio clínico como profilaxia pós-exposição para pessoas que tiveram contactos de alto risco. Atualmente existem vacinas preventivas administradas a profissionais que estejam sujeitos ao vírus Ébola.

Estes tratamentos aprovados nalguns países podem reduzir de forma significativa a mortalidade associada à infeção por vírus Ébola quando utilizados adequadamente, sendo importante reforçar que um diagnóstico efetuado rapidamente e o acesso a cuidados médicos especializados são determinantes para melhorar o prognóstico da doença.

A ONU Mulheres fez um alerta sobre o impacto desproporcional do ébola na população feminina, sendo que têm uma probabilidade maior de serem infetadas devido aos trabalhos que desempenham que as expõem mais ao vírus.

É importante realçar que o risco deste vírus afetar a Europa é muito baixo. Contudo, é importante tomar medidas se viajar para as zonas afetadas. É recomendado que faça uma  consulta do viajante e durante a estadia em regiões afetadas deve:

  • Cumprir as indicações das autoridades de saúde locais e das organizações internacionais
  • Evitar o contacto direto com pessoas doentes ou com suspeita de infeção por vírus Ébola
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou solução à base de álcool
  • Cozinhar sempre muito bem os alimentos de origem animal, especialmente carne e derivados
  • Beber apenas água potável de origem conhecida
  • Não tocar em qualquer material que possa ter sido utilizado no cuidado a doentes (agulhas, equipamentos, roupa, lençóis)
  • Em cerimónias fúnebres, evitar o contacto direto com o corpo da pessoa falecida
  • Evitar relações sexuais não protegidas
  • Evitar contacto com macacos, morcegos e outros animais selvagens, vivos ou mortos.

Após regressar de uma região com casos de Ébola deve manter a vigilância durante 21 dias, o tempo de incubação da doença, e de acordo com as orientações da Direção‑Geral da Saúde, sempre que exista suspeita de doença por vírus Ébola após uma viagem a regiões afetadas, a pessoa deve colocar-se em isolamento e contactar o SNS 24 ou 112, e seguir as recomendações dadas de modo a limitar o risco de propagação do vírus. 

Pode obter mais informações sobre o vírus Ébola aqui.