Maioria dos portugueses quer cuidados paliativos como prioridade no SNS
Conclusão resulta de um investigação da Universidade de Coimbra que mostra que 85,4% dos portugueses defendem prioridade elevada ou máxima para os cuidados paliativos no SNS.

A maioria dos portugueses considera que os cuidados paliativos devem assumir um papel mais relevante no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A conclusão é de um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), que revela que 85,4% da população defende que esta área deve ter uma prioridade elevada ou máxima nas políticas de saúde.
Os resultados resultam de um inquérito realizado a 1041 adultos residentes em Portugal Continental, entre os dias 8 e 24 de maio de 2026, no âmbito do projeto europeu EU NAVIGATE. O trabalho procurou compreender as preferências da população relativamente aos cuidados em fim de vida e identificar as prioridades que os portugueses atribuem aos cuidados paliativos.
Segundo o estudo, 67,1% dos participantes consideram que os cuidados paliativos devem ter prioridade máxima no SNS, enquanto 18,3% defendem que esta área deve ter uma prioridade elevada.
Para Bárbara Gomes, professora da FMUC, investigadora do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB) e coordenadora do projeto, os resultados constituem um importante contributo para a definição de políticas públicas. “Os resultados trazem novos dados para apoiar as políticas públicas e reforçar a resposta do SNS no apoio aos cuidados em fim de vida, sublinhando a necessidade de alinhar os serviços com as preferências e necessidades reais da população.”
O estudo revela ainda que a maioria dos portugueses gostaria de passar os últimos dias de vida em casa. No total, 65,4% dos inquiridos indicaram o domicílio como local preferencial para o fim de vida, sendo que 58,1% escolheram a sua própria casa e 7,3% a casa de familiares ou amigos. Já a preferência pelo domicílio representa um aumento significativo face a estudos anteriores, pois, em 2010, apenas 51% dos portugueses manifestavam essa opção.
Para Mayra Delalibera, investigadora do CiBB e coautora do estudo, esta tendência reforça a necessidade de investir em respostas domiciliárias. “As conclusões do estudo permitem inferir uma vontade populacional de reforço das estruturas de respostas domiciliárias, garantindo que os cuidados paliativos chegam às pessoas onde elas realmente desejam estar e fomentando políticas públicas com foco no doente.”
Outro dado relevante mostra que 55,1% dos participantes já prestaram cuidados ou apoio a um familiar ou amigo nos últimos meses de vida, evidenciando o impacto crescente destas situações na sociedade portuguesa.
Os investigadores sublinham que o reforço das equipas domiciliárias especializadas poderá ser determinante para responder às expectativas da população. De acordo com Bárbara Gomes, estas equipas duplicam a probabilidade de os doentes conseguirem permanecer em casa durante a fase final da vida, contribuindo simultaneamente para um melhor controlo dos sintomas.
A responsável alerta ainda para a necessidade de aumentar o investimento nesta área, lembrando que o número de equipas domiciliárias de cuidados paliativos se mantém praticamente inalterado há cerca de uma década.
O estudo integra o projeto europeu EU NAVIGATE e procura contribuir para uma melhor compreensão das necessidades da população, promovendo o desenvolvimento de respostas mais adequadas no âmbito dos cuidados paliativos em Portugal.




