Cancro de pele: a importância da prevenção

Cancro de pele: a importância da prevenção

O cancro de pele continua a afetar grande parte da população, sendo que é pertinente relembrar medidas de segurança aquando da exposição solar, uma questão que deve ser lembrada mesmo após o verão. Por isso, a Organização Mundial da Saúde recomenda a procura de sombra, atenção ao horário de exposição solar, roupa adequada, chapéu de abas largas, óculos de sol e protetor solar nas áreas expostas ao sol. 


O cancro de pele afeta grande parte da população, sendo que a Agência Internacional de Investigação em Cancro (International Agency for Research on Cancer – IARC), estimou cerca de 1,5 milhões de pessoas diagnosticadas com esta patologia em 2024. Contudo, apesar desta doença ser frequente, a prevenção representa um papel fundamental nesta área da oncologia. 

O cancro da pele inclui os carcinomas basocelulares e espinocelulares, designados como cancro da pele não melanoma, e o melanoma cutâneo, que tem origem nos melanócitos (células que dão a pigmentacao à pele). O tipo não melanoma é o mais frequente, sendo que o melanoma é o mais agressivo e perigoso, e pode originar metástases rapidamente se diagnosticado tardiamente, estando associado a mais de 60% das mortes por cancro da pele.

Num estudo publicado em 2025, no International Journal of Cancer, investigadores da IARC, estimaram que 83% dos melanomas cutâneos diagnosticados em 2022, a nível mundial, eram devidos à exposição à radiação ultravioleta (UV), sendo que na Austrália, Nova Zelândia, Norte da Europa e América do Norte, essa proporção ultrapassou os 95%.

Há fatores de risco individuais que não podem ser modificados, como a idade, a história familiar, características da pele, a presença de múltiplos nervos atípicos e a predisposição genética. Contudo, podemos modificar o fator ambiental: a exposição excessiva e/ou desprotegida à radiação UV. A prevenção tem, portanto um papel fundamental. 

Para alguns tipos de cancro da pele, particularmente os carcinomas basocelulares e espinocelulares, o risco está associado sobretudo à exposição contínua a radiação UV, incluindo a exposição ocupacional. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho estimaram que cerca de uma em cada três perdas de vida por cancro da pele não melanoma está relacionada com trabalho sob exposição solar. Nos casos de melanoma, a exposição solar intensa e intermitente e a história de queimaduras solares, principalmente em idades mais jovens revelam-se extremamente importantes.

Neste sentido, é importante relembrar os cuidados a ter com a exposição solar, que não se limitam ao uso de protetor solar, e englobam um conjunto de medidas para evitar que a exposição solar se transforme numa doença fatal. A OMS recomenda medidas de proteção quando o índice UV é igual ou superior a 3 e sublinha que a melhor proteção resulta da combinação de sombra, atenção ao horário de exposição solar, roupa adequada, chapéu de abas largas, óculos de sol e protetor solar nas áreas expostas ao sol. 

É muito importante esclarecer a população destas medidas com vista à proteção da sua saúde. Não é apenas relembrar de usar protetor solar, é preciso saber em que áreas o vai aplicar, não esquecendo as áreas muitas vezes desprezadas, quando aplicar e reaplicar etc .

Neste sentido, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) promove ações de educação para a saúde dirigidas a diferentes públicos, como no último ano letivo, na região sul do país, em que foram realizadas 214 sessões sobre exposição solar, direcionadas a alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário, complementadas por ações dirigidas a profissionais que acompanham crianças e jovens em ATL e colónias de férias.

A campanha da Bula do Sol vem reforçar estas medidas de uma forma fácil e acessível à população.  O sol, tal como um suplemento, tem benefícios, mas também tem indicações, contraindicações e uma dose a respeitar. Por isso, para usufruir dos benefícios da exposição solar, reduzindo os riscos associados à radiação UV, é importante perceber quando, quanto e como se expor ao sol.

Estas campanhas como a Com o Sol não se brinca – Rota da Prevenção, que levou a prevenção a praias, piscinas, jardins, praias fluviais e ATL, são muito importantes para alertar a população e relembrar as medidas a tomar aquando da exposição solar. O objetivo não é ter medo do sol, mas sim, ser exposto ao sol de uma forma mais consciente e respeitar medidas que promovam a nossa segurança.

É aqui que também pode contar com o apoio do seu farmacêutico nos cuidados a ter com o sol e após a exposição solar, tanto para a pele como cuidado do seu cabelo que também beneficia de proteção e a nível de suplementos. A escolha de um protetor solar adequado é muito importante, sendo que os mais recomendados nas farmácias possuem fator de proteção (FPS) 30 ou superior, ação de amplo espectro (contra raios UVA e UVB) e fórmulas adaptadas para cada tipo de pele (peles sensíveis, com tendência a vermelhidão, oleosas), havendo protetores com filtros minerais (físicos) específicos para bebés e crianças muito pequenas ou com pele atópica, que são os mais aconselhados nestes casos por causarem menos reações alérgicas, e protetores solares direcionados a adultos.

De relembrar que não é recomendado o uso de protetor solar em bebés com menos de seis meses e que se deve privilegiar a proteção com roupa, chapéu e sombra. Muito importante relembrar também que o protetor deve ser aplicado no rosto e corpo 15 minutos antes da exposição solar e deve ser reaplicado a cada duas horas ou após suor intenso, banhos no mar ou secar com a toalha. Há roupas com proteção UV e óculos de sol (para crianças e adultos) que também são medidas ótimas de proteção solar para complementar todos estes cuidados e beneficiar do sol com a máxima segurança.