Comissão Europeia aprova primeiro fármaco oral para o tratamento da obesidade

Comissão Europeia aprova primeiro fármaco oral para o tratamento da obesidade

Aprovação do primeiro comprimido GLP-1 para combater a obesidade alarga opções terapêuticas para adultos com excesso de peso.

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A Comissão Europeia autorizou a introdução no mercado do Wegovy® em comprimido, da Novo Nordisk, o primeiro medicamento oral da classe dos agonistas do recetor GLP-1 aprovado na União Europeia para o controlo do peso em adultos com obesidade ou excesso de peso associado a, pelo menos, uma comorbilidade relacionada com o peso. A decisão segue o parecer positivo emitido, em maio, pelo Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia do Medicamento (EMA).

A nova formulação contém semaglutida oral 25 mg, de toma única diária, e está indicada para adultos com obesidade (IMC ≥30 kg/m²) ou excesso de peso (IMC ≥27 kg/m²) que apresentem patologias associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular. Tal como acontece com as restantes terapêuticas desta classe, o tratamento deve ser integrado num programa que inclua alimentação hipocalórica e aumento da atividade física.

Segundo a Novo Nordisk, a aprovação baseou-se no programa de ensaios clínicos OASIS 4, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral em pessoas com obesidade ou excesso de peso. Os resultados evidenciaram uma redução média do peso corporal de cerca de 17%, além de benefícios cardiovasculares já demonstrados para a molécula.

Para os profissionais de saúde, a disponibilidade de uma formulação oral poderá representar uma alternativa relevante para doentes que manifestam relutância em iniciar terapêuticas injetáveis ou que privilegiam esquemas terapêuticos mais simples. No entanto, especialistas recordam que estes medicamentos devem ser prescritos no contexto de uma avaliação clínica individualizada e integrados numa estratégia global de tratamento da obesidade, considerada atualmente uma doença crónica complexa.

A aprovação europeia surge num momento de rápida evolução da terapêutica farmacológica da obesidade, com o desenvolvimento de novas moléculas e formulações que procuram aumentar a eficácia, a adesão ao tratamento e a acessibilidade. A autorização da Comissão Europeia aplica-se a todos os Estados-Membros da União Europeia, cabendo agora a cada país definir os procedimentos relativos à disponibilização, preço e eventual comparticipação do medicamento.