Sarampo volta a preocupar: quebra na vacinação ameaça proteção coletiva

Sarampo volta a preocupar: quebra na vacinação ameaça proteção coletiva

Aumento de casos emite alerta global, reforçando a importância da vacinação contra esta doença altamente contagiosa e potencialmente fatal. 

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O sarampo é uma doença viral para a qual não existe tratamento, mas as vacinas demonstraram ser seguras e eficazes na sua prevenção. No entanto, apesar de ter sido erradicada em vários países, voltou a aparecer devido à falta de adesão à vacinação e à circulação de informações erradas, o que enfraquece a proteção coletiva e constitui uma ameaça à saúde pública. Tal está relacionado com o facto de menos pessoas levarem as crianças à vacinação contra o sarampo, a vacina tríplice viral. E, se a população deixa de se vacinar, um único caso vindo de outro país pode iniciar um novo surto. 

Atualmente, os Estados Unidos enfrentam uma epidemia grave de sarampo com milhares de casos confirmados recentemente e mortes de pessoas não vacinadas, ativando o alerta global sobre a perda de imunidade de grupo.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o registo de nove casos de sarampo entre 1 de janeiro e 18 de agosto de 2026. De acordo com o sistema nacional de vigilância epidemiológica (SINAVE), três destes casos foram provenientes do estrangeiro, três tiveram origem em território nacional e os restantes três continuam sob investigação epidemiológica.

Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê um aumento global significativo de casos, cerca de 11 milhões em 2026, impulsionado pela quebra na cobertura vacinal de rotina pós-pandemia. Estima-se que a maioria destes casos ocorrerão em África e na Ásia, mas muitos países da América e Europa registam surtos que afetam centenas ou mesmo milhares de pessoas.

Perante esse cenário, a DGS sublinha que a vacinação contra o sarampo sempre teve uma adesão elevada em Portugal, sendo um dos principais fatores para a eliminação da doença e para a prevenção de surtos”.

O sarampo é uma infeção provocada por um vírus, altamente contagiosa, e caracterizada por febre alta e persistente, tosse, conjuntivite, corrimento nasal e manchas vermelhas na pele (exantema), que surgem habitualmente no rosto e progridem para o resto do corpo, e pequenas manchas brancas no interior da bochecha (sinal de Koplik). Transmite-se por via aérea, devido ao contacto direto com gotículas infeciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra.

Normalmente a doença é benigna, mas nalguns casos, pode ser grave e trazer complicações como a surdez, a cegueira ou levar à morte, pelo que é crucial apelar a população para a adesão à vacinação.

A DGS reforça que a elevada cobertura vacinal do país — de acordo com o Relatório do Programa Nacional de Vacinação — funciona como um escudo crucial, reduzindo drasticamente o risco de transmissão. 

Adicionalmente, devido ao aumento de casos internacionais, a DGS aconselha todos os cidadãos que viajem para o estrangeiro a verificarem o boletim de vacinas e a realizarem uma consulta pré-viagem, especialmente se acompanhados por crianças pequenas.