Universidade de Aveiro desenvolve hidrogel biológico com potencial na regeneração de tecidos

Universidade de Aveiro desenvolve hidrogel biológico com potencial na regeneração de tecidos

Equipa de investigadores da Universidade de Aveiro desenvolveu um novo hidrogel totalmente biológico, criado a partir de substâncias libertadas por células humanas, que poderá vir a ter um papel relevante na regeneração de tecidos e na medicina do futuro.

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O trabalho, conduzido no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, centra-se nos chamados secretomas celulares moléculas produzidas naturalmente pelas células e envolvidas em processos essenciais como a cicatrização, a formação de novos vasos sanguíneos e a regeneração dos tecidos.

A novidade está na forma como estes secretomas foram utilizados. A partir de células estaminais humanas retiradas do tecido adiposo, os investigadores conseguiram criar diretamente hidrogéis, sem recorrer a materiais sintéticos, algo que até agora era considerado necessário para manter estas substâncias estáveis e ativas.

Nos métodos tradicionais, os secretomas são incorporados em suportes artificiais, o que torna os sistemas mais complexos e difíceis de controlar. Ao eliminar essa necessidade, a equipa, composta por Ana Santos-Coquillat, Beatriz Neves, Raquel Gonçalves, Dora Costa, João Mano e Mariana Oliveira, conseguiu desenvolver um material mais simples, mas também mais próximo dos processos naturais do organismo.

Além disso, estes hidrogéis mostraram capacidade para libertar gradualmente proteínas e outras moléculas bioativas ao longo de vários dias, criando um ambiente favorável à regeneração. Em testes laboratoriais, revelaram mesmo maior eficácia do que alguns dos suplementos biológicos habitualmente utilizados.

Outro dos pontos fortes do novo material é a sua versatilidade. As propriedades físicas dos hidrogéis podem ser ajustadas, tornando-os mais rígidos ou mais flexíveis consoante a aplicação pretendida.

Os investigadores observaram ainda que estes materiais permitem a adesão de células e a formação de estruturas iniciais semelhantes a vasos sanguíneos, passo essencial para o desenvolvimento de tecidos funcionais.

Este avanço reforça o potencial dos biomateriais de origem totalmente biológica, abrindo caminho a soluções mais seguras, eficazes e personalizáveis. As aplicações poderão estender-se desde a cicatrização de feridas até à engenharia de tecidos e terapias avançadas.