Diagnóstico do Alzheimer poderá passar a fazer-se através de uma análise ao sangue
Novo teste sanguíneo para a doença de Alzheimer promete acelerar o diagnóstico, reduzir exames invasivos e facilitar o acesso a uma deteção mais precoce da doença.

Um simples teste sanguíneo poderá representar um avanço significativo no diagnóstico da doença de Alzheimer, uma das patologias neurodegenerativas que continua a colocar maiores desafios à medicina. Desenvolvido pela Roche, em colaboração com a Eli Lilly, o novo método permite identificar biomarcadores associados à doença através de uma análise ao sangue, oferecendo uma alternativa menos invasiva e potencialmente mais acessível aos exames atualmente utilizados.
Informações divulgadas pela Roche e Eli Lilly revelam que a tecnologia, que já obteve marcação CE para comercialização na Europa, tem como objetivo auxiliar os médicos a confirmar ou excluir a presença de patologia amiloide, uma das principais características da doença de Alzheimer. Para isso, analisa a presença de proteínas beta-amiloide e tau fosforilada, biomarcadores que, quando acumulados no cérebro, contribuem para a destruição dos neurónios e para a deterioração progressiva das funções cognitivas.
Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia, “um resultado negativo permite excluir, com elevada probabilidade, a presença de patologia amiloide, evitando a realização de exames mais invasivos, como a punção lombar”, ou de métodos mais dispendiosos e menos acessíveis, como a tomografia por emissão de positrões (PET). Já os resultados indeterminados exigem investigação complementar.
A grande vantagem deste novo teste reside não apenas na sua precisão, considerada comparável à dos métodos atualmente utilizados, mas também na rapidez e na possibilidade de ser realizado em larga escala. Tratando-se de um exame totalmente automatizado, os equipamentos têm capacidade para processar centenas de amostras por hora.
A necessidade de acelerar o diagnóstico da doença de Alzheimer é particularmente relevante, tendo em conta que, segundo os especialistas, essa confirmação continua a chegar demasiado tarde o que tem um impacto direto no acompanhamento clínico, no acesso a terapêuticas e no planeamento dos cuidados, tanto para os doentes como para as famílias.
Além disso, estima-se que, a nível mundial, até 75% das pessoas com sintomas sugestivos da doença permaneçam sem diagnóstico. Entre aqueles que acabam por ser diagnosticados, o tempo médio entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a confirmação da doença ronda os 3,5 anos.
Em Portugal, existe uma vantagem adicional: os equipamentos necessários para a realização deste teste já se encontram instalados em vários hospitais públicos e laboratórios privados, o que poderá facilitar a sua implementação após os processos internos de adoção pelas instituições de saúde.
No entanto, apesar do potencial da nova ferramenta, a sua integração na prática clínica levanta ainda alguns desafios. Entre eles está a necessidade de definir orientações claras sobre quem deverá solicitar o exame e em que circunstâncias.
Atualmente, especialistas das áreas da neurologia, psiquiatria e medicina interna discutem os critérios de utilização mais adequados. Embora o teste possa vir a ser solicitado também nos cuidados de saúde primários, a sua eventual comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde continua por definir.




