Jornadas APCL regressam à F. Champalimaud para debater o futuro da hemato-oncologia

apcl

Sexta edição das Jornadas APCL reúne doentes, cuidadores e especialistas num dia de diálogo e inovação na Fundação Champalimaud.

Continue reading

Profissionais do SNS assinalam fragilidades na coordenação entre unidades de saúde

Barómetro de Integração de Cuidados 2025, um estudo desenvolvido pela EY Portugal, mostra progressos tímidos e alerta para falta de incentivos à cooperação.

Continue reading

Comparticipação do Estado nos tratamentos termais alivia utentes e impulsiona o turismo de saúde

6 de outubro, 2025

O Governo anunciou uma medida que promete dar novo fôlego ao setor da saúde termal em Portugal: a comparticipação estatal de até 110 euros por ano, por utente, para tratamentos termais, podendo isso significar até 35% do custo do tratamento, ainda que esteja dependente de prescrição médica, por norma da responsabilidade do médico de medicina geral e familiar, do SNS, tendo a validade de um ano. Além disso, cada tratamento termal deve ter uma duração mínima de 12 dias e máxima de 21 dias.

A decisão, que entrou em vigor desde o início de outubro, significando um aumento de 15 euros, “inscreve-se na estratégia de reforço da saúde preventiva e de valorização das estâncias termais, um património histórico e cultural do país que, nos últimos anos, tem procurado modernizar-se e conquistar novo espaço no mercado da saúde e do bem-estar”, pode ler-se numa comunicação partilhada pela agência Lusa.

A medida tem uma dupla ambição. Por um lado, facilitar o acesso dos cidadãos a terapias complementares reconhecidas pelos seus benefícios – alívio de dores reumáticas, melhoria da mobilidade, recuperação respiratória ou simples promoção do relaxamento físico e mental; por outro, dinamizar o setor termal português, muitas vezes concentrado em regiões do Interior, com impacto direto no turismo, na economia local e na criação de emprego.

Para os utentes, especialmente idosos ou pessoas com doenças crónicas, a comparticipação pode representar a diferença entre fazer ou não um tratamento. Num contexto em que os custos familiares pesam cada vez mais, o apoio do Estado é um incentivo claro à adesão. Do lado do sistema de saúde, há também ganhos indiretos: menos medicação analgésica, menor pressão sobre consultas de especialidade e melhor qualidade de vida para grupos vulneráveis.

No entanto, os 110 euros anuais podem revelar-se insuficientes para cobrir, de forma significativa, os custos de vários programas termais, pelo que será essencial definir critérios transparentes de elegibilidade, assegurar equidade territorial – dado que nem todas as regiões têm termas acessíveis – e acompanhar de perto a qualidade e segurança dos serviços.

Ainda assim, pela primeira vez nos últimos anos, o Estado assume de forma clara a relevância da saúde termal, não apenas como opção recreativa, mas como componente de uma política pública de saúde. Ao mesmo tempo, abre espaço para que o turismo de saúde e bem-estar se torne uma área estratégica, cruzando ciência, tradição e inovação.

Mais do que um simples apoio financeiro, esta decisão poderá representar um passo decisivo para que as termas portuguesas recuperem o lugar que já tiveram: de aliadas fundamentais na promoção da saúde e da qualidade de vida.